Entendendo a dor - Dr. Ysao Yamamura

A Acupuntura é reconhecida por seus bons resultados nos tratamentos de dores agudas. Mas por que a técnica funciona em alguns casos e outros não? E por qual motivo, muitas vezes esse sucesso é apenas momentâneo?

Em busca dessas e de outras respostas, Dr. Ysao Yamamura pesquisou e observou por anos seus pacientes e desenvolveu um método que o ajuda a tratar da dor na sua essência. Nesta entrevista, ele compartilha conosco um pouco de suas descobertas.

Como a Acupuntura trata a dor?

A medicina tradicional costuma pensar na dor de hoje para frente, tratando a consequência. O que a acupuntura propõe é tratar o que está provocando essa dor, equilibrar energeticamente esse indivíduo. E isso é bastante positivo. Você trata a dor e a cura acontece em torno de 70% dos casos.  A questão é que nem sempre ela se sustenta, e isso me inquietava um pouco. Eu queria os 100%!

O senhor foi buscar outras opções de tratamento?

Na verdade, eu usei os ensinamentos da MTC e da acupuntura que já aplicava e fui atrás de algo que completasse esse quadro e explicasse a real razão dessa dor. E descobri, pela minha observação, alguns cenários que se repetiam em determinados perfis de pacientes que apresentavam o mesmo tipo de dor. Percebi que o passado do paciente e a sua experiência de vida têm influência direta na dor que ele sente no momento atual e essa é a premissa que norteia minha técnica, a Mobilização de Qi Mental.

Como é entendida e tratada a dor lombar pela sua técnica Mobilização de Qi Mental?

Começamos por analisar o que está acontecendo para a pessoa ter a dor na coluna.  A coluna é o que sustenta uma construção. No corpo humano, a  coluna sustenta a cabeça, a mente e, consequentemente, as emoções. E na mente temos as emoções boas e as emoções destrutivas. Quando o indivíduo passa por uma série de situações em sua vida, muitas delas difíceis e pesarosas, a  mente diz para ele que ele tem de agüentar, precisa suportar tudo aquilo. E quem sustenta esse peso emocional todo é a coluna. Daí a dor. Outra interferência das emoções destrutivas na coluna é quando o indivíduo, diante das contingências da vida, toma para a si a postura de não fraquejar, de se manter rígido e forte. Essa rigidez trava a coluna. É comum ouvimos algo do tipo “Fulano travou a coluna”. Esse travamento vem da postura rígida diante de fatos da vida.

Que outros tipos de emoção estão ligadas a dores físicas?

Por exemplo, um indivíduo tem uma mãe doente, idosa, que requer uma série de cuidados constantes, por um longo período. Se para ele cuidar da mãe é um fardo, um peso difícil de carregar, o acúmulo dessa emoção vai gerar dor no pescoço. Se a postura dele é de incapacidade, se ele sente que queria fazer mais, porém não consegue, a dor aparecerá na região do braço. E assim por diante. E essa dor pode aparecer muito tempo depois.

Então nossas dores de hoje são consequência do que passamos ao longo dos anos?

Sim, desde quando estamos na barriga de nossa mãe. Muitas gestantes durante a gravidez passam por emoções fortes, às vezes uma gravidez indesejada, às vezes a tensão frente às responsabilidades que se avolumam… Dependendo da forma como a mãe lida com essas emoções, o bebê é afetado. Há também acontecimentos da infância que interferem nas dores do adulto. Por exemplo, uma criança que perde um avô ou uma avó com o qual tem uma ligação afetiva bastante estreita. No momento em que o fato ocorre, a dor não aparece. Mas depois de 30 ou 40 anos, num momento de repetição da situação de perda, de repetição daquela emoção, a dor aparece.

Dessa forma, podemos entender que os otimistas ou as pessoas mais positivas têm menos chance de serem acometidos por dores crônicas?

Toda vez que temos uma emoção a mente dá um sentido para isso.  O que posso dizer, com base nos meus estudos, é que pessoas otimistas trabalham melhor essas emoções. Não sentem como um peso ou um fardo. Elas entendem que os agravos fazem parte da vida.

Sua técnica pode ser aplicada em qualquer tipo de dor?

Há três níveis de doença. O nível 3 é o mais crítico e com menos chance de intervenção, o da doença orgânica, quando já existe a lesão. O nível 2, digamos assim, é quando o indivíduo apresenta uma doença funcional ou inflamatória. E o nível 1 é o mais simples, o da doença energética, quando o paciente tem dor, mas os exames estão normais. Agindo na primeira dor, no primeiro nível, a cura é mais fácil. O paciente chega queixando-se de dor, vamos analisar o estado emocional, descobrir o que ele está tendo de agüentar ao longo de sua vida. Analisar o motivo emocional e detectar quais são os pesos que ele tem precisado agüentar pode ensiná-lo a mudar sua postura diante da vida ensina e evitar que “ele tenha de aguentar de novo”, quebrando dessa forma o ciclo da dor.

A técnica de Mobilização de Qi Mental atingiu o objetivo que o senhor esperava?

A medicina tradicional ainda procura causas orgânicas e mecânicas para a dor lombar. E não encontra. A MTC dá 23 causas para a dor lombar, baseando-se nos meridianos, mas também não resolve sempre. A minha técnica vem para somar, para ajudar a atingir o objetivo de uma cura mais permanente. Precisamos entender que os agravos fazem parte da vida de todos nós e aprender a lidar melhor com nossas emoções, a fim de sermos mais saudáveis e felizes.

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